novembro 24, 2011

sister tereza eu loviu


.
.
become
cida
ces
sui

geneve
quece
ite
ce
.
.
in On The Us; Maison, Inas – Legal Records – UK, 1979.
Ilustração: 15 in One; Uploulin Ried

janeiro 22, 2011

In Par


.
INFORMAÇÕES GERAIS PARA A CELEBRAÇÃO DOS CASAMENTOS

1. Valores vigentes para cerimônia religiosa no ano de 2010:
Dizimistas: R$550,00
Não dizimistas: R$600,00

1.1. Casamento religioso com efeito civil:
Dizimistas: R$600,00
Não dizimistas: R$650,00

1.2. Taxa de transferência: R$130,00

1.3. Bodas (Ouro, Prata, Diamante, etc.): R$250,00 (sem Missa)

2. Não é permitido jogar pétalas de flores na passadeira central e no presbitério, antes, durante e depois da cerimônia.

3. Os noivos que realizarem a festa no salão da Igreja receberão os cumprimentos no próprio salão. Os que não realizarem a festa no salão da Igreja, se desejarem, receberão os cumprimentos do lado de fora da Igreja, no estacionamento.

4. São permitidos 07 (sete) casais de padrinhos no máximo para cada noivo.

5. Trata-se de uma cerimônia religiosa e, por isso, solicitamos o respeito e a colaboração dos padrinhos no presbitério, antes, durante e após a cerimônia.

6. Número de músicas permitido: 06 (seis): Cortejo (entrada do noivo e padrinhos), entrada da noiva, entrada de alianças, bênção das alianças, cumprimentos e saída.

7. MÚSICA: Os músicos deverão usar as tomadas que lhes forem indicadas e se postar apenas do lado esquerdo da Igreja. Deverão trazer toda a aparelhagem. A Igreja não cederá nenhum aparelho ou caixa de som. A taxa de colaboração para a Igreja é de R$250,00 por evento realizado pelos não credenciados pela paróquia e de R$100,00 pelos credenciados pela paróquia. O acerto deverá ser feito na secretaria, pelos próprios músicos, com 15 dias de antecedência do evento, mediante assinatura de um contrato. Caso o acerto não seja feito na data estipulada o profissional será impedido de exercer suas atividades no evento programado.

7.1. Caso os noivos não queiram participação de grupos musicais e sim a colocação de CD, será colocado CD indicado pela Igreja, com músicas especiais para casamentos. O valor para colocação de CD é de R$50,00 por casamento. Esse valor deverá ser pago à paróquia juntamente com o pagamento da taxa do casamento.

8. ORNAMENTAÇÃO: A floricultura encarregada da ornamentação deverá fazê-la no horário das 13:00 às 15:30 horas impreterivelmente.

8.1. Não é permitido colar fita adesiva no chão.

8.2. Não é permitido retirar ou remover colunas que estejam no presbitério.

8.3. A taxa de colaboração para a Igreja é de R$250,00 por evento realizado pelos não credenciados pela paróquia e de R$100,00 pelos credenciados pela paróquia. O acerto deverá ser feito na secretaria, pelas próprias floriculturas, com 15 dias de antecedência do evento, mediante assinatura de um contrato. Caso o acerto não seja feito na data estipulada o profissional será impedido de exercer suas atividades no evento programado.

8.4. Se os noivos desejem usar a passadeira (vermelha) da Igreja o valor do aluguel é de R$70,00.

8.5. Se houver mais de um casamento marcado para o mesmo dia o valor da decoração será dividido entre os casais do dia.

9. FOTOGRAFIAS: os fotógrafos deverão usar as tomadas que forem indicadas pela Igreja.

9.1. Favor manter ordem e respeito durante a cerimônia.

9.2. A taxa de colaboração para a Igreja é de R$250,00 por evento realizado pelos não credenciados pela paróquia e de R$100,00 pelos credenciados pela paróquia. O acerto deverá ser feito na secretaria, pelos próprios fotógrafos, com 15 dias de antecedência do evento, mediante assinatura de um contrato. Caso o acerto não seja feito na data estipulada o profissional será impedido de exercer suas atividades no evento programado.

10. ESTACIONAMENTO: O valor do estacionamento de cada carro é de R$10,00 e deverá ser pago ao manobrista da paróquia assim que o carro for estacionado, antes da cerimônia do casamento.

10.1. Os veículos dos fotógrafos, músicos e floricultura, caso estejam estacionados no pátio da Igreja no momento do casamento, também deverão pagar a taxa de R$10,00 ao manobrista do estacionamento, antes da cerimônia.

11. BUFÊS E DOCEIRAS: Os noivos poderão alugar o salão paroquial (informações abaixo) usando ou não Bufê, usando ou não a cozinha da paróquia.

11.1. A taxa de colaboração para a Igreja é de R$250,00 por evento realizado pelos não credenciados pela paróquia e de R$100,00 pelos credenciados pela paróquia. O acerto deverá ser feito na secretaria, pelos próprios Bufês, com 15 dias de antecedência do evento, mediante assinatura de um contrato. Caso o acerto não seja feito na data estipulada o profissional será impedido de exercer suas atividades no evento programado.

12. A Igreja conta com empresas credenciadas: floriculturas, fotógrafos, músicos e bufês, para que os noivos tenham maior comodidade ao escolher os serviços para seu casamento. Todas as empresas que são nossas parceiras estão enquadradas nas normas que regulamentam o casamento na Paróquia Sant’Ana.

13. Caso os noivos desejem trabalhar com profissionais não credenciados pela paróquia, os mesmos deverão ser informados sobre nossas normas e principalmente sobre a taxa de colaboração de 10%.

NOTA: Os noivos declaram estarem cientes de que a Paróquia Sant’Ana, não tem responsabilidade de qualquer natureza em relação às pessoas e empresas por ela indicadas, seja ela civil, penal, tributária, trabalhista, financeira e outras.

14. HORÁRIO: Noivos, familiares e padrinhos deverão cumprir religiosamente o horário marcado para o casamento.

14.1. Os horários das cerimônias são os seguintes: 18:30h, 19:30h e 20:30h. Cada casamento terá direito a 55 minutos, para que a cerimônia seguinte não seja prejudicada por causa do horário. Assim sendo, o casamento que for realizado às 18:30 horas deverá terminar exatamente às 19:25 horas e assim sucessivamente.

14.2. Caso ocorra atraso, serão descontados os minutos do mesmo e se necessário serão cortadas músicas, entradas de alianças ou cumprimentos no altar.

14.3. O noivo deverá chegar 20 minutos antes do horário trazendo certidão de casamento civil e se dirigir à Sacristia.

REGULAMENTO DO ALUGUEL DO SALÃO PAROQUIAL

15. Os valores do aluguel do salão paroquial sem utilização da cozinha são:
Dizimistas: R$800,00
Não dizimistas: R$850,00

16. Os valores do aluguel do salão paroquial com utilização da cozinha são:
Dizimistas: R$350,00
Não dizimistas: R$400,00

17. O uso do salão será permitido pelo período de 04 (quatro) horas para apenas uma festa por dia. Será dada preferência para o casal que primeiro solicitar e assinar o contrato de aluguel.

17.1. Se o período de 04 horas for ultrapassado será cobrada multa de 50% do valor do aluguel.

18. Os convidados dos noivos que alugarem o salão para a festa, caso não seja o casamento das 20:30 horas, deverão estacionar os carros no estacionamento da Av. Cruzeiro do Sul, que fica nos fundos da Igreja, ao lado da estação do metrô. O motorista poderá deixar os passageiros na porta da igreja e se dirigir para o estacionamento da Cruzeiro do Sul.

19. No ato da assinatura do contrato do aluguel do salão, os noivos deverão deixar um cheque caução, com o valor da multa, que só será descontado pela paróquia caso ocorra desrespeito ao item 03 deste livreto. Caso tudo esteja de acordo com o item 03, o cheque será devolvido aos noivos, no final da festa, pelo funcionário do estacionamento que é também, funcionário da igreja.

20. Itens contidos no salão paroquial:
- 50 mesas de metal.
- 200 cadeiras.
- 04 latões plásticos de lixo, com sacos de lixo.
- O salão não contém aparelhagem de som e nem iluminação especial.

21. Itens contidos nos banheiros do salão paroquial:
- 02 banheiros: feminino e masculino.
- Cada banheiro tem 02 vasos sanitários e o banheiro masculino tem, também, mictório.
- 04 rolos da papel higiênico em cada banheiro.
- 03 cestos de lixo com saco de lixo em cada banheiro.
- 01 papeleiro, com papel, para enxugar as mãos em cada banheiro.
- 01 suporte com sabão líquido em cada banheiro.22. Itens contidos na cozinha:

22. Itens contidos na cozinha:
- 02 geladeiras industriais.
- 01 fogão industrial com 06 bocas.
- 03 pias.
- 02 frezzers.
- 01 forno elétrico.
- As panelas e utensílios de cozinha pertencentes à paróquia não poderão ser utilizados.
- Solicitamos que o salão e a cozinha sejam deixados em ordem e que o lixo seja colocado nos latões.

23. O pagamento do aluguel do salão deverá ser efetuado, na secretaria, 10 dias antes do evento.
.
.

dezembro 28, 2010

Cortez the Killer




by Neil Young, album Zuma. Recorded with Young's band Crazy Horse, 1975

novembro 08, 2010

Erro de português


.
.
Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.
.
.
in Poesias Reunidas; Andrade, Osvald de – Civilização Brasileira, 3ª. edição – Rio de Janeiro, 1972.
Imagem: Guinigui

outubro 25, 2010

Aquiri juquilá I

Homem é detido ao andar nu em praia no litoral de SP


Caso aconteceu nesta segunda-feira (25), em Caraguatatuba.
De acordo com a polícia, ele tem problemas psicológicos.


Do G1 SP, com informações da TV Vanguarda



Um homem foi detido pela polícia na manhã desta segunda-feira (25) em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, por caminhar nu pela praia.


Ele, que não teve a identidade revelada, foi levado para o Hospital Stela Maris, onde foi recebido por uma assistente social.

De acordo com a polícia, o homem tem problemas psicológicos e ficará internado.
.

in g1.globo.com/sao-paulo/noticia/

julho 01, 2010

Tapir




in O Guarani; Alencar, José de – Segunda Parte; Peri; VI Nobreza; pg. 221 – Ateliê Editorial – Cotia, 2002

maio 03, 2010

Noites



O tigre evoca, de forma geral, as idéias de poder e ferocidade; o que só comporta sinais negativos. É um animal caçador e, nisso, um símbolo da casta guerreira. Tanto na geomancia quanto na alquimia chinesa, o tigre opõe-se ao dragão; mas se vem a ser, no primeiro caso, um símbolo maléfico, é, no segundo, um principio ativo, a energia, em oposição ao principio úmido e passivo, o chumbo oposto ao mercúrio, sopro do sêmen.

Os Cinco Tigres, símbolos de força protetora, são os guardiões dos quatro pontos cardeais e do centro. Alias, através da história e nas lendas chinesas dá-se repetidamente o nome de Cinco Tigres (Wu ho) a grupos de guerreiros valorosos, protetores do império. O aparecimento de um tigre-branco é um sinal de virtude real. O tigre é mais especificamente um animal do norte, do solstício de Inverno, onde devora as influências maléficas. Se por vezes é a montaria de um Imortal, é porque ele próprio é dotado de longevidade. Sua força simboliza ainda, no budismo, a força da fé, do esforço espiritual, atravessando a selva dos pecados, que é simbolizada por uma floresta de bambus.

Na iconografia hindu, a pele do tigre é um troféu de Xiva. O tigre é a montaria da Xácti, da energia da natureza, a quem Xiva não se encontra submetida, mas ao contrário, dominada por ele (CHOC, DANA, GRAD, GUES, KALL, LECC, OGRJ).

Monstro da escuridão e da lua nova, é também uma das figuras do mundo superior, o mundo da vida e da luz nascente. Ele é muitas vezes reproduzido, deixando sair da goela um ser humano, representado por uma criança. É o ancestral do clã, identificado com a lua que renasce: a luz que retorna (HENL, ELlT, 161).

Na Malásia, o curandeiro tem poder de transformar-se em tigre. Não podemos esquecer que em todo o sudoeste asiático, o Tigre-Ancestral mítico é visto como o iniciador. É ele quem conduz as neófitas à selva para iniciá-las, na realidade, para matá-las e ressuscitá-las (ELlC. 306),

Na Sibéria, para os gilíacos, o tigre, devido à sua vida e hábitos, é um verdadeiro homem, que apenas temporariamente assume o aspecto de tigre (ROUF, 303, citando Zelenine, Le Culte des Idoles en Sibérie, Paris, 1952).

O aparecimento do tigre nos sonhos provoca uma angústia ao acordar. Reanima os terrores gerados pela aproximação da fera na floresta, ou por sua visão nos jardins zoológicos ou circos. Belo, cruel, rápido, o tigre fascina e apavora. Segundo E. Aeppli, nos sonhos ele representa um conjunto de tendências que se tomaram completamente autônomas e que estão sempre prontas para nos atacar inesperadamente e para nos despedaçar. Sua poderosa natureza felina encarna um conjunto de forças instintivas, cujo encontro é tão inevitável quanto perigoso; essa natureza é astuciosa, menos cega do que a do touro, mais feroz do que do cão selvagem, apesar de igualmente inadaptada. Esses instintos mostram-se sob o seu mais agressivo aspecto, porque, presos na selva, tornaram-se completamente desumanos. O tigre fascina, no entanto: É grande e poderoso, embora não tenha a dignidade do leão. É um pérfido déspota que desconhece o perdão. Ver aparecer um tigre nos seus sonhos significa estar perigosamente exposto à bestialidade dos seus impulsos instintivos (AEPR, 265).

Ele simboliza o obscurecimento da consciência submersa nas ondas de seus desejos elementares desencadeados. Mas embora lute contra animais inferiores, como répteis, conforme vemos em certas representações, é uma figura superior da consciência; mas, ao lutar contra um leão ou uma águia, passa a figurar apenas o instinto de cólera que procura saciar-se, opondo-se a qualquer proibição superior. O sentido do símbolo varia, como sempre, conforme a situação dos seres em conflito.

Uma lenda grega, relatada por Plutarco, explica por que o nome de Tigre foi dado a um rio da Mesopotâmia, denominado anteriormente Solax. Para seduzir uma ninfa da Ásia, Afesibéia, por quem estava apaixonado, Dioniso transforma-se em tigre. Tendo chegado à margem do rio, ela não pôde continuar fugindo e deixou-se agarrar pela fera, que a ajudou a passar para a outra margem. Seu filho, Medes, foi o herói epônimo dos medos e o rio tomou o nome de Tigre. Em memória à ninfa e ao deus que se haviam unido em suas margens (GRID, 29).

Segundo outras lendas, de origem babilônica, o Tigre haveria nascido dos olhos de Marduk, o Criador, ao mesmo tempo que o Eufrates. Na Bíblia, é um dos quatro rios do Paraíso Terrestre. No seu contexto sumério-acadiano. o Tigre assume uma significação de destaque: o curso da água cósmica, cercando a terra como uma ilha, evoca o célebre Oceano terrestre. o Apso do qual os textos cosmogônicos e cosmológicos da Mesopotâmia tanto falam (SOUN, 220). O Apso tem uma função característica na gênese do mundo: considerado como uma divindade masculina, representa a massa de água doce sobre a qual flutua a terra. Tem sua fonte no Oriente, próxima às montanhas do sol, e envolve o mundo como um rio circular. É ele que alimenta nossos cursos de água (ibid., 119). O Tigre, como rio, simbolizaria a água doce, por oposição ao mar, abismo de água salgada donde surgem todas as criaturas.


in Dicionário de Símbolos; Chevalier, Jean e Gheerbrant, Alain – José Olympio – Rio de Janeiro, 1982

março 01, 2010

Viva Piva!


A grande poesia de Roberto Piva precisa de ajuda. Este evento é para arrecar fundos visando o tratamento da sua delicada saúde. Pedimos a colaboração na divulgação. Para doações à distância, seguem seus dados bancários:
Itaú – 341
Agência: 0036
Conta corrente: 20592-0
CPF 565 802 828-00
.

janeiro 10, 2010

Te quiero


Tus manos son mi caricia,
mis acordes cotidianos;
te quiero porque tus manos
trabajan por la justicia.

Si te quiero es porque sos
mi amor, mi cómplice, y todo.
Y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos.

Tus ojos son mi conjuro
contra la mala jornada;
te quiero por tu mirada
que mira y siembra futuro.

Tu boca que es tuya y mía,
Tu boca no se equivoca;
te quiero por que tu boca
sabe gritar rebeldía.

Si te quiero es porque sos
mi amor mi cómplice y todo.
Y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos.

Y por tu rostro sincero.
Y tu paso vagabundo.
Y tu llanto por el mundo.
Porque sos pueblo te quiero.

Y porque amor no es aurora,
ni cándida moraleja,
y porque somos pareja
que sabe que no está sola.

Te quiero en mi paraíso;
es decir, que en mi país
la gente vive feliz
aunque no tenga permiso.

Si te quiero es por que sos
mi amor, mi cómplice y todo.
Y en la calle codo a codo
somos mucho más que dos.
.
.
Mario Benedetti in www.avantel.net
Imagem: Big Mouth por D*Face

janeiro 01, 2010

Vesperal



Pato Donald Mickey Clarabela
voam no céu, o filme roda na tela,
o céu está cheio de estrêlas
as crianças tomam sorvete no cine
as crianças como riem elas
Tio Patinhas passa de avião
êle tem concorrentes em outras cidades
sua fortuna de tôdas tem que ser a maior
Tio Patinhas sorri, êle está contente,
Douglas Mcpherson, esquire, suicidou-se
ontem, com um tiro no ouvido,
Tio Patinhas ganha qualquer parada
êle sorri, êle está contente,
e com êle as crianças como riem elas
ah as crianças o filme corre na tela
Tio Patinhas é bom para as crianças
é todo colorido, um pato eastmancolor,
simpático, de cartola, e como tem dinheiro,
Pato Donald Mickey Clarabela
olham-no com respeito e admiração
voam no céu, o filme roda na tela,
Mcpherson suicidou-se ontem
com um tiro no ouvido,
o céu está cheio de estrêlas,
as crianças, como riem elas ...

Ariel Marques
Ariel Krirochein Marques, carioca, nascido em 25 de abril de 1947, completou o curso secundário do Rio de Janeiro e, atualmente, cursa o 2º ano de Economia na Universidade de Brasília. Já colaborou em diversos suplementos literários e revistas, entre os quais a
"Revista Civilização Brasileira". Tem um livro de poemas inédito intitulado "urbe".



in Poesia viva I, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1968
Ilustração: Stiffane Mioo, por Guinigui

novembro 28, 2009

Bruzundangas



A gente da Bruzundanga gosta de raciocinar por aforismos. Sobre todas as cousas, eles têm etiquetadas uma coleção deles.

Se se fala em uma sala ou em outro qualquer lugar de sociedade de cousas literárias, logo um aforista sentencia:

— A arte deve ser impessoal. Os grandes artistas, etc.

Naturalmente, ele se lembrou de Dante, que pôs no inferno os seus inimigos e no céu os seus amigos.

Incapaz de fazer aparecer do seu seio razoáveis manifestações intelectuais, ela é ainda mais incapaz de apoiar as que nascem fora dela.

A pintura, que sempre foi arte dos ricos e abastados, não tem, na Bruzundanga, senão raros amadores. Os pintores vivem à míngua e, se querem ganhar algum dinheiro, têm que se rojar aos pés dos poderosos, para que estes lhes encomendem quadros, por conta do governo.

Porque eles não os compram com o dinheiro seu, senão os de vagas celebridades estrangeiras que aportam às plagas do país com grandes carregações de telas. É outro feitio da gente imperante da Bruzundanga de só querer ser generosa com os dinheiros do Estado. Quando aquilo foi império, não era assim; mas, desde que passou a república, apesar da fortuna particular ter aumentado muito, a moda da generosidade à custa do governo se generalizou.

Se um desses engraçados mecenas julga que deve proteger tal ou qual pessoa; que esta precisa viajar a Europa, aperfeiçoar-se, não lhe subvenciona a viagem, não tira nem um ceitil dos seus mil e mais contos. Sabem o que faz? Influi para que ele receba um pagamento indevido do Tesouro ou promove uma fantástica comissão para o indivíduo.

É assim o mecenato da Bruzundanga. A falta de generosidade e a sua inquietude pelo dia de amanhã ferem logo a quem examina a sociedade daquele país, mesmo perfunctoriamente.

Basta ler os testamentos dos seus ricos e compará-los com os que fazem os humildes iberos, que lá enriqueceram em misteres humildes, para sentir a inferioridade moral da sociedade da Bruzundanga.

Nestes últimos, há mesmo um grande pensamento da hora da morte, quando fazem legados a amigos, a parentes afastados, a criados, a instituições de caridade; mas, nos daqueles, só se topa com o mais atroz egoísmo. Lembro-me de um ricaço de lá que, ao morrer, fez avultados legados aos netos, filhos de sua filha, com a condição de que deviam usar o nome dele — cousa que, como se sabe, se não é contrária às leis, ofende os costumes. O sobrenome tira-se do do pai, lá como aqui.

Por falar em cousas de morte, convém recordar que os cemitérios dessa gente, ou por outra, os túmulos das pessoas da alta roda da Bruzundanga são outra manifestação da sua pobreza mental.

São caros jazigos ou carneiros de mármore de Carrara, mas os ornatos, as estátuas, toda a concepção deles, enfim, é de uma grande indigência artística. Raros são aqueles que pedem a escultores que os façam. Todos os encomendam a simples marmoristas, que os recebem, aos montes, da Itália.

As suas casas são desoladoras arquitetonicamente. Há modas para elas. Houve tempo em que era a de compoteiras na cimalha; houve tempo das cúpulas bizantinas; ultimamente era de mansardas falsas. Carneiros de Panúrgio...

A sua capital, que é um dos lugares mais pitorescos do mundo, não tem nos arredores casas de campo, risonhas e plácidas, como se vêem em outras terras.

Tudo lá é conforme a moda. Um antigo arrabalde da capital que, há quantos anos era lugar de chácaras e casas roceiras, passou a ser bairro aristocrático; e logo os panurgianos ricos, os que se fazem ricos ou fingem sê-lo, banalizaram o subúrbio, que ainda assim é lindo.

Um dos toques da mediocridade da sociedade da Bruzundanga é a sua incapacidade para manter um teatro nacional.

O teatro é por excelência uma arte de sociedade, de gente rica. Ele exige vestuários caros, jóias, carros — tudo isso que só se pode obter com a riqueza. Pois os ricos da Bruzundanga não animam as tentativas que se têm feito para fazer surgir um teatro indígena, e todas têm fracassado.

Ela se contenta com a ópera italiana ou com as representações de celebridades estrangeiras.

Poderia ainda falar nas suas festas íntimas, nos seus casamentos, nos seus batizados, nas suas datas familiares; mas, por hoje, basta o que vai dito, e é o bastante para mostrar de que maneira a aristocracia da Bruzundanga é incapaz de representar o papel normal das aristocracias: criar o gosto, afinar a civilização, suscitar e amparar grandes obras.

Se falei aqui em aristocracia, foi abusando da retórica. O meu intento é designar com tão altissonante palavra, não uma classe estável que detenha o domínio da sociedade da Bruzundanga, e a represente constantemente; mas os efêmeros que, por instantes, representam esse papel naquele interessante país.

Explicado este ponto, posso ir adiante nas minhas breves “notas” sobre o país da Bruzundanga.



in Os Bruzundangas; Barreto, Lima – Editora Brasiliense – S.Paulo, 1956
Imagem: Mantegna, Andrea "The Agony in the Garden" c. 1450; Têmpera sobre madeira — 63 x 80 cm – National Gallery, London