junho 19, 2019

A Morte


HISTÓRIA DA ESPOSA DANADA

Não sei quantos de nós haviam conseguido decifrar de uma maneira ou de outra aquela história, sem se perder em meio a todos os cartapácios de copas e ouros que surgiam exatamente quando desejávamos uma clara ilustração dos fatos. A comunicabilidade do narrador era bastante escassa, dado talvez que seu engenho fosse mais voltado para o rigor da abstração do que para a evidência das imagens. Em suma, alguns entre nós se deixavam distrair ou se detinham sobre certas conjugações de cartas e não conseguiam ir além.

 Por exemplo, um de nós, um guerreiro de olhar melancólico, que se havia apoderado de um Valete de Espadas muito parecido com ele, e de um Seis de Paus, aproximou-os do Sete de Ouros e da Estrela como se quisesse formar uma fila vertical por sua conta.

 Talvez para ele, soldado perdido no bosque, aquelas cartas seguidas da Estrela quisessem significar uma cintilação como a dos fogosfátuos que o havia atraído para uma clareira entre as árvores, onde lhe aparecera uma jovem de palor sidéreo que vagueava pela noite em camisola de dormir e com os cabelos soltos, erguendo alto um círio aceso.

 Seja como for, ele continuou impávido sua fileira vertical, baixando duas cartas de Espadas: um Sete e uma Rainha, conjugação já de si difícil de interpretar, mas que talvez sugerisse alguma espécie de diálogo deste tipo:

 — Nobre cavaleiro, eu te suplico, desfaz-te de tuas armas e couraça e permite que eu as tome! — (Na miniatura a Rainha de Espadas enverga uma armadura completa, com braceleiras, cotoveleiras, manoplas, sobressaindo-se como uma camisola de ferro das bordas recamadas de suas cândidas mangas de seda.) — Estouvada, comprometi-me com alguém cujo abraço ora abomino e que virá esta noite reclamar-me o cumprimento da promessa! Sinto-o aproximar-se! Armada, não deixarei que se apodere de mim! Eia, salva uma donzela perseguida!

 Que o guerreiro tenha consentido prontamente é algo de que não se podia duvidar. E eis que, ao vestir a armadura, a pobrezinha se transforma em rainha de torneio, pavoneia em redor, exibe-se toda. Um sorriso de júbilo sensual anima a palidez de sua face.

Mas aqui de novo começava um desfile de cartapácios cuja compreensão era um problema: um Dois de Paus (sinal de uma bifurcação, de uma escolha?), um Oito de Ouros (algum tesouro oculto?), um Seis de Copas (um convite amoroso?).

 — Tua cortesia merece um galardão — deve ter dito a jovem do bosque. — Escolhe o prêmio que preferes: posso dar-te riqueza, ou então...

 — Ou então?

 — ...Posso me dar a ti.

 A mão do guerreiro baixou sobre o naipe de copas: havia escolhido o amor.

Para a continuação da história devíamos deixar trabalhar a imaginação: ele já estava nu, ela afrouxou a armadura que acabara de vestir e, através das placas de bronze, nosso herói conseguiu chegar a um seio tenro e teso e túrgido, insinuou-se entre o férreo coxote e a tépida coxa…
De caráter reservado e pudico, o soldado não se alongou em pormenores: tudo o que nos soube dizer foi colocar ao lado de uma carta de Copas uma outra de Ouros, com um ar de suspiro, como a dizer:

 — Pareceu-me entrar no Paraíso...

 A figura que depositou em seguida parecia confirmar a imagem dos umbrais do Paraíso, mas ao mesmo tempo interrompia bruscamente a entrega voluptuosa: era um Papa de austeras barbas brancas, como o primeiro dos pontífices que hoje guarda as Portas do Céu.

 — Quem está a falar de Paraíso? — No alto do bosque em meio às nuvens apareceu são Pedro trovejando em seu trono:

 — Para esta a nossa porta estará fechada por todo o sempre!
O modo como o narrador depositou uma nova carta, com um gesto rápido, mas mantendo-a escondida, e com a outra mão tapando os olhos, como que nos preparava para uma revelação: a mesma com que ele se deparou quando, baixando os olhos dos ameaçadores umbrais celestes, pousou-os sobre a dama em cujos braços jazia e viu o gorjal emoldurar não mais uma face de pomba no cio, não mais as narinas maliciosas, o pequenino nariz arrebitado, mas sim uma barreira de dentes sem gengivas nem lábios, duas fossas nasais escavadas no osso, os pômulos macilentos de um crânio, sentindo que envolvia nos seus os membros ressequidos de um cadáver.

 A gélida aparição do Arcano Número Treze (a legenda A Morte não figura nem mesmo nos maços de cartas em que todos os arcanos menores trazem escritos os seus nomes) havia reacendido em todos nós a impaciência de conhecer o final da história. O Dez de Espadas que vinha agora seria a barreira dos arcanjos que vedava à alma danada o acesso ao Céu? O Cinco de Paus indicaria uma passagem através do bosque?

 Neste ponto, a coluna de cartas se havia ligado ao Diabo, colocado naquele ponto pelo narrador precedente.


 Não era preciso conjecturar muito para compreender que do bosque havia saído o noivo tão temido pela defunta prometida: Belzebu em pessoa, que, exclamando: “Não adianta, minha querida, trapacear nas cartas! Para mim, todas as tuas armas e armaduras (Quatro de Espadas) não valem dois vinténs (...)!”, levou-a consigo para debaixo da terra.



ITALO CALVINO (1923 - 85) nasceu em Santiago de Las Vegas, Cuba, e foi para a Itália logo após o nascimento. Participou da resistência ao fascismo durante a guerra e foi membro do Partido Comunista até 1956. Publicou sua primeira obra, A trilha dos ninhos da aranha, em 1947.






Calvino, Italo; O castelo dos destinos cruzados – Trad. Ivo Barroso – 2ª edição – Companhia das Letras – 1991

Imagem: Gertrude Moakley, in her book The Tarot Cards Painted by Bonifacio Bembo (1966) presents the theses that Renaissance Carnival processions depicting "Triumphs" of morality and specific virtues, concepts also embodied in the text and various illustrations to Petrarch's I Trionfi, provide the symbolic basis of the Tarot, which originates from the same basic milieu a fusion of three traditions: the Roman triumphs, the religious processionals, and the knightly tournament processions of the Middle Ages. These ideas have an interesting history and visual legacy in Western


junho 18, 2019

A dois

CONVERSA COM JESUS CRISTO
Sempre que você se sentir só e impotente para resolver determinada situação ou problema, seja de qual ordem for, não se desespere. Converse com Jesus Cristo, orando: Meu querido Jesus Cristo, em vós deposito toda minha confiança. Vós sabeis de tudo, ó Pai do universo. Vós sois o Rei dos Reis. Vós que fizestes o paralítico andar, o morto voltar a viver e o leproso sarar. Vós que vedes minhas angústias, minhas lágrimas, bem sabeis, Divino amigo, como preciso alcançar de vós esta graça que espero, com muita fé e confiança. Fazei, Dívino Jesus Cristo, que eu a alcance pois necessito muito, por isso vos peço com muita fé (fazer o pedido com bastante fé e firmeza). A conversa convosco, meu grande mestre, me dá ânimo e alegria para viver. Como gratidão mandarei imprimir um miiheiro desta oração e distribuir a outras que precisam de vós, para que aprendam a ter fé e confiança em Vossa misericórdia. lluminai meus passos assim como o sol ilumina todos os dias o amanhecer. Jesus Cristo,tenho total confiança em vós e a cada dia que passa alimenta minha fé e meu amor!" Rezar um Pai Nosso, Ave Mana e Glória ao Pai.


Em agradecimento, hoje mando imprimir e distribuir 1000 orações, para propagar os benefícios e devoção ao NOSSO SENHOR JESUS CRISTO. Mande imprimir você também logo após o pedido.



IMPRESSOS UNIDAS PELA FÉ - FAÇA SUA ENCOMENDA Ligue 0800 55 4116 ou Oxxl1) 2731-2852/ 2731-1322 Ganhe 4 medalhas e 2 imagens de bolso. Enviaremos paratodo o Brasil.





junho 01, 2019


Casa Guiomar
CALÇADO DADO
A mais barateira do Brasil
AVENIDA PASSOS, 120
–– RIO ––

Conhecidissima em todo o Brasil por vender barato e servir bem, lança a titulo de reclame, aos seus freguezes, duas marcas de sua creação, tudo para o agrado de vosso príncipe e ainda mais barato 40 % do que nas outras casas.
 
450$000


Lindos modernos e finos sapatos em cristal da Bohemia. Gaspea de delicada renda côr de pérola, salto translúcido em quartzo persa com maravilhosa esmeralda cravejada do lado direito; custam nas outras casas rs. 600$000.

550$000


O mesmo modelo em Murano em matizes ceruleos, gaspea de cetim cravejado de águas-marinhas de Madagascar com salto Luiz XV e linda fivellinha em ouro 22 k, conforme o cliché; custam nas outras casas rs. 700$000





MIMO para o cliente que levar as duas ofertas: um chapelinho rubro igneo de optima procedencia italiana, da marca Lupusavarum.


Pelo correio mais 22$500 por par.

Remettem-se catálogos illustrados para o interior a quem os solicitar.
PEDIDOS A
JULIO DE SOUZA

In  A Scena Muda – anno 6; nº 261 – Rio de Janeiro, 1926



maio 31, 2019

Unsniverso

O mundo é plano
A terra é marrã clarinha
O planeta diário

Robert Rauschenberg, Rodeo Palace (Spread), 1975-76, solvent transfer, pencil, and ink on fabric and cardboard, with wood doors, fabric, metal, rope, and pillow, mounted on foamcore and redwood supports, 144 × 192 × 5 1/2 in., collection of Lyn and Norman Lear, Los Angeles, © Robert Rauschenberg Foundation


Meus heróis são imortais


Um Por Todos – Todos Por Um!

A famosa legenda dos personagens de "Os Três Mosqueteiros" de Dumas pode ser aplicada também ao grupo de diferentes lidadores que, neste momento histórico do mundo, estão vivendo a epopeia do petróleo.
Realmente, dos laboratórios ESSO às refinarias, das refinarias aos navios-tanques, toda uma legenda de sacrifícios mútuos e heroísmo coletivo se vem escrevendo, afim de que não falte aos exércitos das Nações Unidas, e ao seu front interno, este mais do que decisivo fator da lula presente: o petróleo.
Os sábios e pesquisadores dos laboratórios ESSO – eles são mais de 1.500 – estão dando o melhor de seu espírito inventivo em pesquisas e descobertas novas. Os técnicos e operários das refinarias multiplicam e dobram os seus esforços para atender às avassaladoras necessidades da guerra. Sobre os mares perigosos, infestados ele submarinos, o petroleiro audaz é conduzido por marujos corajosos.
E há ainda um quarto mosqueteiro – este, seu conhecido: o Revendedor ESSO – sacrificado mais do que ninguém no seu ganha-pão quotidiano. No entanto, ele continua, através da guerra, a sua tarefa de guerra: ensinando os motoristas em tráfego como poupar seus carros e caminhões a desgastes prematuros; pedindo-lhes que economizem pneus, para que o menor consumo dos mesmos permita que os exércitos aliados possam ter mais borracha; e auxiliando os automobilistas a conservar seus carros parados.
Por tudo isso, esses "mosqueteiros" estão participando da construção do mundo futuro, de justiça, liberdade e dignidade, ideal para cuja consecução não poupamos sacrifícios energias e nem desprendimento.
• • •
Ouça O Reporter ESSO, diariamente, pelas radios:Nacional, do Rio; Record, de S. Paulo; Inconfidência de Minas Gerais, B. Horizonte, Farroupilha deP. Alegre e Radio Club de Pernambuco, Recife.
STANDARD OIL COMPANY OF BRAZIL
NO TREMENDO ESFORÇO DE GUERRA, APERFEiÇOAMOS A QUALIDADE E O SERVIÇO DE AMANHÃ

in O Estado, sábado, 29 de maio de 1943

maio 30, 2019

De noite, na cama



E agora? Qual é o sentido de toda essa escuridão ao meu redor? Será que fui enterrada assim que pisquei o olho? Imagine se eles fariam uma coisa destas! Claro que não. Sei o que é. Estou acordada. É isto. Acordei de madrugada. Não é ótimo? Era tudo o que eu queria. Quatro e vinte da manhã e aqui está esta garota, com dois olhos acesos como um par de girassóis. Formidável. Justamente na hora em que todas as pessoas decentes vão dormir, tenho eu que acordar. Nunca vi maior sacanagem em toda a minha vida. É o que torna as pessoas furiosas e com vontade de matar, sabiam?
E sabem o que me levou a isto? Ter ido para a cama às dez da noite. Ir para a cama às dez da noite! É um desastre. D-e-z-espaço-d-a-espaço-n-o-i-t-e: desastre. Cedo na cama e você se dana. Vá dormir com as galinhas e você se aporrinha. Deitada antes do nascer do sol, só lhe restará um lençol. Dez da noite, depois de ler por algumas horas! Ler, ah, ah. Ora, eu acenderia a luz neste exato momento e voltaria a ler meu livro, se não tivesse sido ele o causador desta insônia. Puxa, o estrago que a leitura provoca neste mundo. Todo mundo sabe disto - todo mundo que é alguém. Todas as boas cabeças pararam de ler há anos. Vejam o equívoco de La Rochefoucauld sobre isto: ele disse que se ninguém tivesse aprendido a ler, poucas pessoas teriam se apaixonado. Pelo menos, era o que ele pensava. Está bem, La Rochefoucauld. Como eu gostaria de nunca ter aprendido a ler. Gostaria de nunca ter aprendido a tirar a roupa. Pelo menos não estaria nesta entalada às quatro e meia da manhã. Se ninguém jamais tivesse aprendido a tirar a roupa, pouquíssimas pessoas teriam se apaixonado. Não, a frase dele é melhor. Ah. tudo bem, o mundo é mesmo dos homens. 









Parker,Dorothy, 1893-1967.
Big loira e outras histórias / Dorothy Parker;
tradução de Ruy Castro – São Paulo Companhia das Letras, 1987

maio 29, 2019

Self Birthday























Homens são de Marte
Mulheres são de Venus
Quem são os que são de Gêmeos?


Piraru cu



A SITUAÇÃO FUNDIÁRIA DA VÁRZEA DO RIO AMAZONAS E EXPERIMENTOS DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA NOS ESTADOS DO PARÁ E DO AMAZONAS
David G. McGrath e Antônia Socorro Penada Cama
Introdução
A várzea do rio Amazonas sempre foi o corredor central da ocupação no Amazonas. Até a década de 1970, quando a atual malha rodoviária começou a ser construída, a população amazônica se concentrava na várzea e nas margens dos principais rios. Apesar de sua importância em termos demográficos e econômicos a situação fundiária da várzea sempre foi contraditória. Na interpretação do governo brasileiro, a várzea é considerada patrimônio da União e, portanto, nela não pode haver propriedade privada. No entanto, a várzea tem sido ocupada por gerações e, em toda a sua extensão, a população desenvolveu arranjos institucionais para garantir o acesso à terra e aos recursos naturais locais. Em muitas regiões de varzea, propriedades privadas são delimitadas e reconhecidas pela população local. Além disso, existe um mercado de terras de várzea no qual é possível comprar e vender propriedades, apesar da falta de títulos legais.


 
A Questão fundiária e o manejo dos recursos naturais da várzea : 
análise para a elaboração de novos modelos jurídicos 
José Heder Benatti ... [et al.] 
Manaus  – Ibama – 2005

Pai Pai (tem uma gota de mãe)

Um sapinho no front


Uma vez no seminário, descobri tarde demais que eu caíra numa armadilha igualmente cheia de adversidades, ao me ver preso em novo contexto de opressão. Querendo escapar do ambiente massacrante da minha casa, deparei-me com um cotidiano controlado por regras severas. A vida de interno me parecia tão hostil que, de melhor aluno da classe no grupo escolar, tirei nota cinco no final do primeiro ano do ciclo ginasial, beirando a expulsão por falta de condições intelectuais para a carreira sacerdotal. Naquele seminário, estávamos longe de uma reclusão desordenada. Ao contrário, um dos problemas advinha do excesso de ordem e controle. Os superiores exerciam uma autoridade, agora em nome de Deus, que nem meu pai ousaria. Para tudo se respondia Deo gratias, pois tudo se devia à graça de Deus. Tudo era feito Ad majorem Dei gloriam, porque a glória de Deus estava acima de tudo. Em nome de Deus, uma falta considerada grave
podia motivar expulsão, num ritual que simulava a perda do paraíso. Rezávamos o terço individual, durante as filas para ir de um lugar ao outro do edifício, atendíamos obrigação permanente de fazer silêncio e rezávamos na capela várias vezes ao dia. O horário para conversa era rigidamente controlado. Havia castigos para qualquer regra quebrada do Regulamento, escrito num opúsculo que carregávamos como a Palavra Revelada do Reitor e demais superiores. O mais popular dos castigos era "ir pra parede", ou seja, ficar em pé no meio do pátio, encostado a uma parede, mantendo silêncio enquanto os colegas se divertiam, por tempo determinado à altura da falta cometida. A comunidade, com mais de cem internos, dividia-se entre dois grandes grupos: os maiores e os menores. Neste último incluíam-se os novatos ou "sapinhos", nome usado para caracterizar a hibridez dos recém-chegados, que não pertenciam mais ao mundo profano, mas ainda não partilhavam da comunidade dos eleitos para o serviço de Deus. Apesar da proibição de conversas entre as duas categorias, nos horários de recreio os veteranos de várias idades adoravam fazer gozações e humilhar os novatos, tratados como pessoas incompetentes, imprestáveis e, sobretudo, burras. Durante os horários para jogos, em especial futebol, vôlei e pingue-pongue, eu me via acuado em meio a garotos e adolescentes desconhecidos. Como "sapinho", estava sujeito ao poder sádico exercido sobre os mais fracos e diferentes, que hoje se identifica como bullying. Logo na chegada, fui batizado com o apelido, para mim incômodo e inexplicável, de "Boca Larga" - ali onde eram comuns os apelidos, muitas vezes grosseiros, relacionados a alguma característica desabonadora. Lembro de um novato que, por não primar pela beleza, recebeu a alcunha de "Chiclete de Onça". Um coleguinha de classe de pernas finas passou a ser chamado de "Sabiá" - e ninguém o conhecia pelo verdadeiro nome. Só escapava quem mostrasse qualidades viris. Por ser bom jogador de futebol, um dos menores mereceu a alcunha de "Pilé", em referência ao Pelé, recente fenômeno do futebol brasileiro. Com os veteranos, era mais comum o apelido enfatizar alguma qualidade - que podia ter conotação sexual mal disfarçada, como no caso do rapagão conhecido como "Tolere", em possível referência às suas dimensões íntimas. Antes da admissão ao seminário, entre as várias informações e solicitações enviadas à família do candidato, constava uma lista de roupas que eu deveria levar. Tudo bordado com o número 50, que me identificava. Para preparar o enxoval, minha mãe fez o melhor ao seu alcance. A partir de sacos de farinha usados, costurou as cuecas que algum dia eu iria usar. Fez o mesmo com meus calções, que eu julgava horrorosos e me deixavam envergonhado frente aos colegas mais ricos. Semanas depois de internado, em meio a novidades assustadoras, levei bronca do meu "anjo", nome dado a um veterano
designado para introduzir o novato nas regras severas da comunidade. Como eu ousava estar sem cueca? Na verdade, eu nem imaginava para que serviam as cuecas solicitadas na lista de enxoval. Candidamente, continuei usando minhas calças curtas, por cima da pele. Esperava que alguém me avisasse quando deveria começar, já que nada me parecia marcar a passagem para o "tempo das cuecas"..

Pai, Pai – João Silvério Trevisan – 1ª edição – Rio de Janeiro; Alfaguara. 2017

JOÃO SILVÉRIO TREVISAN tem treze livros publicados, entre ensaios, romances e contos. É autor do romance Ana em Veneza e do ensaio Devassos no Paraíso, entre outros. Realizou também trabalhos como roteirista e diretor de cinema, dramaturgo, tradutor e jornalista. Dirigiu o longa-metragem cult Orgia ou O homem que deu cria (1970), proibido pela ditadura durante mais de dez anos, e o curta Contestação (1969), realizado clandestinamente. Desde 1987, coordena oficinas de criação literária, pelas quais já passou mais de uma geração de novos escritores. Recebeu três vezes o prêmio Jabuti e o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), o último deles pelo seu mais recente romance, Rei do cheiro (Record, 2009). Sua obra já foi traduzida para o inglês, alemão, espanhol, italiano, polonês e húngaro. Ativista na área de direitos humanos, fundou em 1978 o Somos, primeiro Grupo de Liberação Homossexual do Brasil, e ainda na década de 1970 foi um dos editores fundadores do mensário Lampião da Esquina, o primeiro jornal voltado para a comunidade homossexual brasileira. Viveu em Berkeley, na Cidade do México e em Munique. Atualmente reside na cidade de São Paulo.


Regina



ALVES JUNIOR, Valter Vieira

Estudo do tamanho de glândula ácida em operárias de Apis mellifera
(L.) descendentes de rainhas cruzadas com um zangão.

Dissertação de Mestrado, 98 páginas
IBRC-UNESP, 1987
Orientador: José Chaud Netto


Foi estabelecido um programa de seleção para obter abelhas com a glândula ácida reduzida, na expectativa de que as glândulas menores produzissem menos veneno.
A pesquisa foi desenvolvida até a geração F8, tendo sido obtido um ganho de seleção de aproximadamente 54% ao final do trabalho.
Ao compararmos a quantidade de veneno produzida pelas glândulas de operárias selecionadas, com a armazenada em operárias que não participaram do programa de seleção, verificamos que as primeiras produziram significativamente menos veneno, Também foi detectada uma relação direta entre o comprimento da glândula ácida e a quantidade de veneno produzido. Estudos de viabilidade média dos descendentes das rainhas matrizes, entre as fases de ovo e pupa, revelaram que não ocorreu redução da viabilidade apesar de termos realizado vários cruzamentos do tipo irmão x irmã em algumas gerações. Contudo, em alguns cruzamentos que não foram utilizados durante o desenvolvimento da pesquisa, notou-se uma acentuada mortalidade nos favos com crias operculadas, que apresentavam um grande número de falhas. Foi observada uma frequência media de glândulas não bifurcadas mais baixa em relação às glândulas bifurcadas.
De acordo com 0s resultados obtidos no programa de seleção, julgamos oportuna a manutenção dessa linhagem que poderá ser muito útil, no sentido de propiciar produção de rainhas portadoras dos genes que condicionam glândulas pequenas e consequentemente menores quantidade de veneno nas operárias. Acreditamos que disseminação gradativa destas características em grandes apiários diminuiria em muito os riscos de acidentes por choque anafilático, tanto em pessoas como em animais..




CARDOSO, Joaquim Carlos Sanches

Ação da radiação gama no veneno de abelha Apis mellifera
(Hymencptera, Apoldee).


Dissertação de Mestrado, 69 páginas
FFCLRP-USP, 1991
Orientador: José Enrique Rodas Duran
Objetivando-se a verificação da importância da fração volátil e não volálil do veneno da abelha Apis melífera em sua atividade radioprotetora, foram realizados experimentos “in vitro” para se estudar os efeitos observados na estrutura do composto, devido à radiação gama de uma fonte de Co-60. As amostras foram analisadas por difratometria, espectrometria e cromatografia gasosa. O veneno extraído foi separado em duas frações, uma exposta à radiação e outra utilizada como padrão.
Na análise realizada no difratômetro de raios-X, o veneno foi depositado em lâmina de vidro que foram colocadas em dessecadores por aproximadamente 06 horas. Após a secagem das amostras, estas foram acondicionadas em porta-amostras que permitiram a analise.
Os espectros de emissão foram obtidos analisando-se amostras de veneno dissolvido em água destilada, dispostas em cavidades existentes nos eletrodos do microespectrômetro. Para a analise por cromatografia gasosa, o veneno foi dissolvido em solução de sulfato de sódio e dicloro metano.
O espectro de difração foi obtido para a amostra apresentou características de espectros obtidos para compostos amorfos, não sendo possível a verificação de alterações na amostra irradiada.
Na análise por espectrometria de emissão, os resultados apresentaram indícios da ionização sofrida pela amostra irradiada, embora não tenham sido verificadas alterações nos componentes do veneno.

Hoffmann, Magali

Estrutura e importância de uma comunidade de abelhas
(Hymenoptera: Apoidea) no Rio Grande do Sul,
para a polinização de plantas cultivadas
Tese de Doutorado, 177 páginas
UFPR
1990
Orientadores: Jesus Santiago Moure
Dieter Wittmann
Este trabalho apresenta um estudo da comunidade de abelhas nativas, em terra agrícola, com amostragens periódicas de agosto de 1984 a dezembro de 1986 na Estação Experimental Fitotécnica de Águas Belas, Viamão, RS.
Enfatizando-se a abundância das espécies e indivíduos de abelhas, as espécies vegetais visitadas por elas, as espécies predominantes e fenologia.
A amostra esteve constituída de 1601 espécimes de abelhas, pertencentes a 140 espécies.
A família predominante, em número de espécies foi Anthophoridae (31 %), seguida de Halictidae
(29%), Megachilidae (19'%); Andrenidae (13%), Apidae e Colletidae (4%). A espécie dominante
foi
Mourella caerulea (Friese, 1900) com 241 espécimes.
As famílias de Apoidea não coletadas durante o inverno foram Megachilidae e Colletidae.
Encontraram-se abelhas em 109 espécies de plantas. Compositae com 31 espécies foi a família mais visitada por abelhas. A espécie Sida rhombifolia L (Malvaceae), permaneceu florida, em média, 6 meses/ano e recebeu 34 espécies de abelhas
Foram efetuados experimentos sobre o aumento de produtividade através da polinização nas culturas de girassol (Helianthus annuus L), feijão (Phaseolus vulgaris L) e colza (Brassica napus L), utilizando-se parcelas abertas e cobertas.
Das 140 espécies de abelhas ocorrentes na Estação Experimental, 23 espécies foram observadas em girassol, 13 espécies em feijão e 16 espécies em colza. O aumento de produtividade alcançada no experimento com parcelas abertas, foi de 52% no girassol, de16% no feijão e de 82% na colza.
A área agrícola da Estação Experimental de Viarnão caracterizou-se por apresen1ar um elevado número de espécies do gênero Megachile, consideradas de grande importância para a polinização de diversas plantas de interesse econômico. 




Livro em Homenagem aos 70 Anos do Professor Warwick Estevam Kerr. 
Pesquisas com abelhas no Brasil – Editores: Ademilson Espencer Soares e David De Jong Departamento de Genética - Revista Brasileira de Genética, 1992 Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP 14.049-900 – Ribeirão Preto. São Paulo, Brasil

maio 26, 2019

Paredão
















& os bêbados & os loucos & os poetas egocêntricos
poderão afinal discutir tendências da angústia & sexos
sem que vejam nas sombras
as sombras dos ratos

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maio 24, 2019

Este sim

A Maior
Unidade Brasileira
de Tratamento
de Esgotos.

Lachesis


Existe em Lachesis uma combinação perfeita entre estado físico e mental. Vamos tentar clarear um pouco.

Lachesis (L. Mutus. Lachesis Trigonocephalus. Serpente Surukuku da América do Sul)

Lachesis é um medicamento muito útil para as mulheres, especialmente aqueles que sofrem de afrontamentos durante a menopausa e quando a condição está associada a palpitações e desmaios. É eficaz no alívio de períodos menstruais dolorosos acompanhados por mudanças de humor e também desmaios e palpitações. Com efeito, na homeopatia, lachesis é um medicamento TIDO como essencial e que é receitado para mulheres que estão em fase de menopausa e experimentam ondas de calor. Além disso, também é útil no tratamento de problemas relacionados com a síndrome pré-menstrual (PMS) , bem como convulsivo, sensibilidade congestiva menstrual, pessoas que ficam melhor com o fluxo de sangue reforçado na menstruação. Pele azulada. Alternância de excitação e depressão. Afecções da idade crítica das mulheres. Grande sensibilidade ao toque. Pessoas tristes e indolentes. Mulheres irritáveis e vermelhas.

Sensível ao toque ou à pressão das roupas. Mulheres que não podem com nada que lhes pressione a garganta, nem mesmo um lenço ou colar. Sensível às vestimentas. Essa referencia é séria e eficaz, em todos os casos em que se aplica Lachesis. O alerta aqui fica por conta de não ser um sintoma único, ou seja, precisa de mais referencias para se ter uma personalidade Lachesis.

O SEXO

Desejo sexual aumentado. Tem apetite sexual intenso. Promiscuidade, não consegue se prender por muito tempo a um parceiro só. Inicia masturbação quando muito jovem. (Grat, Orig, Plat, Staph). Quando falamos em promiscuidade, não falamos em muitos parceiros de uma vez, falamos de uma troca que não se acaba. O interesse é grande e a novidade é intensa, entretanto Lachesis faz amor, realmente é sério.

SONHOS E SONO

Ela ou ele sonham com pessoas mortas e com cobra. É impossível se deitar do lado esquerdo pra dormir (Phos) e geralmente o sono é perturbado com sensação de estar sempre sufocada.

A PELE

A pele de lachesis merece uma atenção especial - Coloração azulada, arroxeada. Cianose. Equimose. Púrpura. Hipersensível ao toque e a pressão (uma boa referencia para se chegar a essa personalidade). Herpes zoster. Gangrena. Veias varicosas.
Mulheres de comportamento loquaz, que trocam de assunto muito rapidamente, são geralmente ciumentas e desconfiadas, mas se acham. Aqui o amor próprio em excesso é um problema.
Sofrem de dores de cabeça pulsáteis, daquelas que martelam. As ondas de calor sobem para a cabeça, avermelhando o rosto, acompanhadas de forte sudorese e sensação de sufocação que as obriga a afrouxar a roupa em torno do pescoço.

UM VÍCIO

Costuma ser utilizado com frequência em idosos bebedores, alcoólicos e velhos sifilíticos. Entre eles se encontrará o mesmo tipo: coléricos, nervosos e de rosto inchado, dando a impressão de grotesco e vulgar. Pálpebras de um branco sujo ou meio amarelado, nariz vermelho violeta, lábios violáceos. A bebida é uma fulga vastamente usada por personalidades Lachesis.

UM ALERTA

Em Lachesis existe um alerta as condições circulatórias e neurológicas. Um outro alerta especial vai para as cardiopatias – especialmente dores no peito.

Medicação complementar: Aes, Ars., Calc, Carb-v, Crot-c, Crot-h, Hep, Iod, Kali-i, Lyc, Nit-ac, Puls, Phos.
Diferencial: Apis, Cact, Cimic, Crot-h, Dig, Hyos, Kalm, Lac-c, Naja, Med, Par, Plat, Phos, Sulph, Zinc.

Antes de tudo, não se esqueça, essa personalidade se defende, vive livre e é extremamente desconfiada. Como na vida, nem pense em segurar uma Lachesis, ela se retrai e adoece.

Homeopatas dos Pés Descalços

A árvore que aperta

O barbatimão (Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville, Leguminosae) é uma planta do cerrado brasileiro rica em taninos, muito usada por indígenas para o preparo de tinturas para pele. Além de suas propriedades medicinais, entre elas antifúngica, anti-inflamatória, antibacteriana, cicatrizante etc., a planta também é empregada na construção civil; na produção de sabão, substituindo a soda cáustica; e também no curtume de couro, utilizando-se os taninos da casca. A árvore era muito procurada por prostitutas, já que serve para o tratamento de corrimentos vaginais e outros problemas dessa ordem. O nome da planta teve origem numa expressão indígena que significa “a árvore que aperta”, em virtude de suas propriedades adstringentes.

Barbatimão
Nomes populares: barba-de-timan; casca-da-mocidade; casca-da-virgindade; iba-timão; ibatimô; chorãozinho-roxo, entre outros).

Também é usada na fabricação de sabonetes medicinais, muito utilizados em tratamentos para a psoríase e outras doenças de pele.

Indicações:


Há evidências científicas que apontam que extratos das cascas de barbatimão apresentam as seguintes indicações:
Antidiabético (hipoglicemiante);
Anti-hemorrágico;
Antibacteriano;
Antidiarreico;
Antisséptico;
Depurativo;
Coagulante sanguíneo;

Infusões e chá da casca:
(uso interno)
Inflamação de garganta; gastrite e úlcera;

Compressas, gargarejo e banhos de infusão:
(uso externo)
Tratamento de feridas;
Gonorreia;
Gengivites;
Hemorroidas;
Leucorreia;
Infecções vaginais;
Candidíase.

PREPARANDO:

EXTERNO: as cascas, na forma de pó, são fervidas e o chá pode ser usado para lavagens da área afetada, na forma de banhos de assento, ou pode-se embeber gaze ou algodão e aplicar sobre a ferida.

Decocção de 1 colher de sopa em um litro de água para gargarejos, lavagens vaginais e uterinas, impinges etc.

INTERNO: as cascas são utilizadas em infusão para tratamentos de problemas estomacais e diarreias, por exemplo.

DECOCÇÃO: ferva 20 g (2 colheres de sopa) da casca em um litro de água por alguns minutos, depois deixe amornar e utilize. Não há uma dose específica, mas recomenda-se o consumo de uma xícara ao dia até que o problema seja curado.

Contraindicações do uso de barbatimão
As sementes e vagens não devem ser usadas por gestantes, tendo em vista que estudos científicos realizados em camundongos verificaram que o extrato dessas partes da planta pode ser abortivo e/ou prejudicar a gestação.
Chás da casca, mesmo sem contraindicações, não devem ser ingeridos por gestantes e lactantes sem a supervisão do seu médico.
Há um ditado popular que diz que “tudo que é natural não faz mal”. Essa afirmação não é 100% verdadeira. Embora chás, tinturas e outras formas de uso do barbatimão sejam consideradas naturais (isto é, derivados da planta), há uma série de substâncias químicas extraídas da planta que podem exercer efeitos nocivos a longo prazo. Portanto, não é recomendado o uso contínuo e prolongado desses chás e extratos, tendo em vista que podem surgir efeitos colaterais indesejados. Caso isso ocorra, interrompa imediatamente o consumo e procure um médico.


Artigo revisado por Leopoldo C. Baratto – Farmacêutico, Médico e Doutor em Ciências Farmacêuticas (UFRP) – Atua na área de pesquisa de plantas medicinais com ênfase no estudo de substâncias extraídas de plantas para o desenvolvimento de novos medicamentos.