setembro 30, 2008

Jornal Goretti Informa:

Parcerias

Rosana Freneda e Ângela Sbragia, diretoras do Colégio Técnico Santa Maria Goretti, têm procurado, ao longo do ano de 2008, construir uma base sólida para o ensino de seus alunos dentro do segmento educacional da saúde, firmando fortes alianças com empresas, entidades e associações de renome nacional, tais como algumas das aqui citadas nos textos a seguir.

Estagiários no Hospital Brigadeiro
 
O Hospital Brigadeiro, situado próximo a avenida Paulista, abriu suas portas para acolher estagiárias do Goretti em sua divisão de podologia, onde demonstrarão, na prática, os ensinamentos obtidos.

ACM: Intercâmbio Internacional

A ACM/SP firmou importante parceria com o Goretti, que propiciará estágios de alunos do colégio em acampamentos organizados pela centenária entidade em diversas localidades dos Estados Unidos da América.

2º Seminário de Podologia Goretti

O Goretti realizou o Seminário de Podologia, coordenado por Orlando Madella Jr. e palestras de Monica Crestincov, Célia Aparecida da Silva e Dr. Marcus Maia, prof. da Fac. Ciências Médicas da Santa Casa SP.

PEPA e PIVI: Ação Comunitária

As alunas do Goretti atendem renomadas entidades: a PEPA, que atende adolescentes portadores de deficiência mental e o PIVI, com crianças portadoras do vírus HIV e outras patologias.
 
 

setembro 11, 2008

Oco do mundo



O vô do ovo



Geraldinho era pequeno e já sabia voar.
Mal falava em gansolês mas já dava loops e fazia acrobacia, eta palavra esquisita pruma coisa tão bonita.
Seus amiguinhos de turma não gostavam.
Falavam na lata — metido — e o deixavam sozinho planando no alto do céu.



Geraldinho era um só ganso nascido de um ovo só.
Como todo gansinho tinha uma gansa mãe, Madalena, a pequena e um ganso pai, Juvenal, que voava longe sempre. Às vezes voltava, outras não.
Seu grande amigo, seu avô "Seu" Praxedes, servia sempre de guia para seus vôos sozinho.



Chovesse ou fizesse sol, ventasse ou estivesse calmo, voavam, voavam, voavam.
Voltavam tarde, cansados, língua pra fora do bico, asinhas cansadas, exaustos.
Quando acordavam, cantavam, língua de gansos que voam, lambiam as asas, voavam.
Era um tempo bem feliz os tempos de Geraldinho criança. Apesar da saudade que dava ou da falta da turminha



Fred, Fifi e Malu era o trio inseparável. E também impenetrável, pelo menos para o Gê. Sim, pois agora Geraldinho virara somente o Gê.
— Se eu sou Frederico é Fred, se eu sou Filpina é Fifi e se eu sou Maria Luiziana é Malu, porque você não pode ser só Gê, Geraldinho?
— Algum problema?, berraram Fred, Fifi e Malu.
Brincando de cabra cega, correndo no pique-pique, pulando sela ou correndo, o trio seguia deixando Gê do outro lado. De fora.



E quando Gê perguntava fazendo carinha triste, o biquinho para o chão, o trio cruel respondia:
— Au au au, au au au, vai chamar o Juvenal. 
Bem sabendo, triunfantes, que o pai do Gê não voltava.
Triste, triste, muito triste, o Gê procurou seu avô pedindo colo e consolo. Colo de avô é tão bom, pensava ele tão triste.
— Porque a turma não deixa vovô? Eu queria tanto entrar, brincar, correr, ser amigo. Tão pouquinho. Mandaram chamar meu pai. Será que é porque meu pai só foi?



Praxedes sem fazer bico, seu neto ao colo, olhos ao longe falou:
— A  vida é voar e ver. Com o tempo você também vai. Quem sabe se voltará?
O Gê fez que entendeu, mas no fundo, no fundo, sacou só a primeira parte.
Guardou: A vida é voar e ver.



Passaram os tempos, os anos, os meses, semanas, dias e horas, com seus minutos, segundos.
O Gê cresceu, encorpou, ficou um ganso bonito, vistoso, bem aprumado. Um bico bate-estalar que é como se chama assim os bicudos entre os gansos.



Voavam sempre agora, todas as turmas de gansos em viagens sempre juntos.
Fifi, Fred e Malu, voavam juntos também.
E dava muita confusão. Lá no alto quando em vôo, reclamavam do Geraldo, um ganso muito metido. Dava loops, cabriolas, fazia até folha seca, coisas muito das difíceis.



— Não voa nunca certinho, não bate as asas conosco, não bico-estala em conjunto, comentava Fred bravo.
— Não fica nunca em sossego, só voa e estica o pescoço, falou Malu ofendida
— Só voa na frente, esticado e bico-estala sozinho, berrou Fifi, a gorducha, roxa de inveja e ciúmes.
Geraldo fez que não ouvia. Seguiu voando certeiro, nem respondeu aos três outros.



Ao longe, à beira do lago, Tsuru – a garça branca –, montada em seu pé, um só, saudou a passagem dos gansos.
Geraldo e todos os gansos responderam ao cumprimento, grasnando — Boa tarde prima!, e seguiram.



Olhando o sol no horizonte, o vento soprando nas penas, ouvindo e vendo passar todo tipo de pessoas, histórias, casas, paisagens, coisas, Geraldo bico estalou:
— Verdade vovô, verdade, a vida é voar e ver. E pode ser que eu nem volte.


Texto: Cid Pimentel
Ilustrações: Nicolielo
 

julho 08, 2007

Sumaúma


De pequenino se torce o pepino


Os mano

Amore — L. Bonfaro

Odio — L. Bonfaro
.
in Novissima – Albo d'Arti e Lettere; Direttore: Fonseca, Edoardo de – Roma, 1904

Boi na linha


.
(aparece a ema, enorme, correndo, dança junto depois, para junto do boi vazio e olha, espantada)

EMA — Ué! Cadê o recheio do boi? O boi esvaziou? Cadê o de dentro do boi?

ATOR — Eu estou aqui. O de dentro do boi, sou eu!

VIOLEIRO
O boi é boi só por fora,
o boi é gente por dentro
gente é seu sentimento
em qualquer dia e qualquer hora!
O boi é boi só por fora,
o boi é gente por dentro,
gente é seu sentimento,
na hora em que o boi vai embora!
Boi, por dentro, também chora!

EMA — Então, o boi é igual à Ema! Eu também sou gente por dentro. Quando alguém me maltrata, sofro igualzinho à gente!

VIOLEIRO — Você também é gente, por dentro, Ema? Você também tem sentimento?

EMA — Tenho. Também sou gente, por dentro. Igual a todo bicho! Igual a toda a gente!

VIOLEIRO — Então, Ema, sai de dentro, vem prá fora!

EMA(se requebrando, metendo a cabeça debaixo da plumagem) Eu tenho vergonha. Fico toda envergonhada!

TODOS, EM VOLTA DA EMA — Sai de dentro, vem pra fora, sai de dentro, vem pra fora, sai de dentro, vem pra fora...

Trecho de A Folia dos Três Bois; Orthof, Sylvia – SBAT, Revista de Teatro, nº 460 – Rio de Janeiro, 1968

julho 07, 2007

Noir


La Notte – Augusto Majani, Bologna

in Novissima – Albo d'Arti e Lettere; Direttore: Fonseca, Edoardo de – Roma, 1904

Auto da Barca do Inferno




in Teatro; Vicente, Gil – Livraria Lello & Irmão – Porto, sd

Auto da Feira


...A peça tem prólogo, dito por Mercúrio, que, discreteando sôbre astronomia, usa de sentenças semelhantes às do prólogo da «Exortação da Guerra». No final, diz quem é e ao que vem: que por não conhecer na côrte de Portugal feira no dia de Natal, ordena ali uma, nomeando mercador-mor ao Tempo. Entra êste, anunciando várias mercadorias, entre elas a Justiça, a Verdade, a Paz, o Temor de Deus, etc. A seguir vem um Serafim e convida para a feira os mosteiros, as igrejas, os pastores de almas, «os papas adormidos», a quem exorta a que regressem à vida humilde e simples dos primitivos tempos da Igreja.
...Aparece o Diabo, «como bufarinheiro», e gaba-se de que há de vender com tôda a facilidade a sua avariada mercadoria. Discute o assunto com o Tempo e com o Serafim.
...Surge Roma, a Igreja, que vem comprar Paz, Verdade e Fé. Gil Vicente, pela boca do Diabo, dirige-lhe cruéis censuras e ataques.
...Desenvolve-se depois uma scena de dois compadres lavradores, que, a caminho da feira, falam das respectivas mulheres, uma brava, outra mansa, mostrando-se cada um dêles descontente com a sua. Surgem as mulheres e censuram os respectivos maridos, cujos defeitos apontam. Chegam à feira. Como uma das mulheres pronuncia a palavra —Jesus—, o Diabo desaparece. Dirigindo-se ao Tempo e ao Serafim, preguntam por mercadorias várias e enjeitam as que esses vendedores apregoam, como consciência, virtude, etc.
...Aparecem mais raparigas e rapazes, ordenam-se para feirar, e estabelece-se entre êles uma troca de ditos amorosos, que tornam animada a scena. Até que por fim todos cantam uma «folia» à Virgem em honra de quem se ordenara a feira.

in Teatro; Vicente, Gil – Livraria Lello & Irmão – Porto, sd