janeiro 25, 2007

Uma virtude sábia


Mora agora em mim uma virtude sábia
Prima das putas
Irmã dos comunistas
Companheira constante das beatas
De que massa é feita tal ciência
Eu me pergunto
Só sei que veio de noite, um dia
Em que por entre os claros olhos
Do Tempo
Um menininho atento
Muito atento mesmo
Espiava

in Os originais; Pimentel, Cid – Hucitec – São Paulo, 1986

2 comentários:

Mangará, Duque de disse...

Caro Roberto,

Bolas, olhos de gude e, lembrei-me disto:

eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem está por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro de meu centro
este poema me olha

–•–

se muito me engano, de Carlos Leminski.

abaraço

Antónia Candida disse...

Talvez a Cegonha, aquela, saiba. Sabidas dos segredos, porém, fogem todas e, depois que despacham, a gente nunca mais vê.
Safadas.