maio 09, 2009

A Evolução dos Idiotas



Os cientistas acreditam que os humanos são o grande resultado de bilhões de anos de evolução. Não posso explicar toda a teoria da evolução aqui, mas ela pode ser resumida assim. 

Teoria da Evolução (Resumo) 
Primeiro existiam algumas amebas. Amebas dissidentes se adaptaram melhor ao ambiente, tomando-se assim macacos. E aí veio a Gestão da Qualidade Total. 


Estou deixando de lado alguns detalhes, mas a teoria em si também tem alguns furos que é melhor não questionar. De qualquer forma, levamos muitos anos para chegar a este nível sublime de evolução. Não havia nada de mais neste ritmo descansado porque não tínhamos muito o que fazer, exceto sentar e esperar não ser comido por porcos selvagens. E então alguém caiu em cima de um galho pontudo e estava inventada a lança. Foi aí que começou a confusão. 

Eu não estava lá, mas aposto que alguém disse que a lança jamais substituiria as unhas como a melhor ferramenta numa briga. O pessoal do contra xingou os usuários das lanças chamando-os de "moog" e "blinth". (Isto foi antes de existir a marinha mercante, portanto ainda não se sabia xingar muito bem.) 

Mas não se falava em "diversidade" naquela época, e acho que o pessoal do "Diga Não às Lanças" acabou sendo mais "objetivo", se é que você está me acompanhando. 

A vantagem da lança é que quase todo mundo era capaz de entendê-la. Tinha uma característica básica: a ponta afiada. Nossos cérebros estavam perfeitamente equipados para este nível de complexidade. E não só os cérebros dos intelectuais — o homem comum também podia entender o que era uma lança. A vida era boa, salvo algumas pragas ocasionais e o fato de que a expectativa média de vida era de sete anos ... e que depois dos quatro você já estava rezando para morrer. Mas quase todo mundo se queixava de como as lanças eram confusas. 

De repente (em termos evolucionários), um dissidente chegou e construiu uma prensa tipográfica. Depois disso foi uma ladeira escorregadia. Duas piscadas mais tarde e estávamos trocando as baterias dos nossos laptops enquanto cruzávamos os céus em objetos metálicos brilhantes onde nos serviam amendoins e refrigerantes. 

Culpo o sexo e os jornais pela maioria dos nossos problemas hoje em dia. 

Esta é a minha lógica: só uma pessoa, entre um milhão de outras, é inteligente o bastante para inventar a imprensa. Portanto, quando a sociedade era formada apenas de algumas centenas de pessoas parecidas com macacos morando em cavernas, as chances de uma delas se tomar um gênio eram muito poucas. Mas as pessoas estavam sempre fazendo sexo, e a cada novo débil mental que vinha ao mundo, cresciam as chances de um dissidente sabichão escorregar da rede genética. Quando se tem vários milhões de pessoas correndo por aí e fazendo sexo sem nenhum planejamento, são muitas as chances de que alguma mamãe macaca grávida se agache no meio do mato e coloque para fora um dissidente inventor-de-prensa-tipográfica. 

Com as prensas, nosso destino estava traçado. Porque, então, todas as vezes que um novo dissidente esperto tinha uma idéia, ela era anotada e compartilhada com os outros. Todas as boas idéias podiam ser aprimoradas. A civilização explodiu. Nascia a tecnologia. A complexidade da vida cresceu geometricamente. Tudo ficou maior e melhor. 

Exceto os nossos cérebros. 

Toda a tecnologia que nos cerca, todas as teorias de gerenciamento, os modelos econômicos que prevêem e orientam o nosso comportamento, a ciência que nos ajuda a viver até os oitenta anos - tudo isso é criado por uma porcentagem minúscula de dissidentes espertos. O resto procura se manter à tona da melhor maneira possível. O mundo é complexo demais para nós. A evolução não acompanhou isso. Graças à prensa tipográfica, as pessoas espertas dissidentes conseguiram capturar seus gênios e comunicá-los sem ter que transmiti-los geneticamente. A evolução entrou em curto-circuito. Alcançamos o conhecimento e a tecnologia antes da inteligência. 
Somos um planeta com aproximadamente seis bilhões de bobos vivendo numa civilização que foi projetada por uns poucos milhares de dissidentes interessantemente inteligentes. 

Exemplo Real:

A Kodak introduziu no mercado uma câmera descartável chamada Weekender (a máquina dos finais de semana). Clientes ligaram para o serviço de apoio para perguntar se ela podia ser usada durante a semana também. 

Tenho certeza de que existem outras explicações plausíveis para as atividades dentro das empresas serem tão absurdas, mas não consigo encontrar nenhuma. Se conseguir, escreverei um outro livro. Prometo que continuarei procurando uma resposta até acabar o seu dinheiro. 


in O Princípio Dilbert; Adams, Scott – Ediouro – Rio de Janeiro, 1996
Ilustração: Andy Warhol – 100 Cans – Oil on canvas, 72 x 52", 1962

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